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Mestre António Costa


Nascido em Nogueira da Maia, lugar da Pena, na Rua do Morouço, que hoje tem o seu nome, a 7 de Dezembro de 1906, tendo-se completado o centenário do seu nascimento no ano transacto, o Mestre António Costa foi um dos grandes pedagogos musicais do concelho e da região, sendo responsável pela formação e permanência na Música, de sucessivas gerações de músicos profissionais e amadores, parte significativa deles, seus descendentes.

Iniciou os seus estudos musicais em 1916, com apenas 10 anos de idade e aos 12 anos, em 1918 ingressava na Banda de Moreira da Maia, a tocar clarinete. Anos mais tarde aprofundou os seus estudos em Teoria Musical, em Mecânica Instrumental (Instrumentação), em Harmonia e Composição com três distintos professores do Conservatório de Música do Porto.

Em 1924, já com 18 anos, transfere-se para a Banda Marcial de Gueifães, a tocar saxofone alto. Dois anos volvidos, aos 20 anos institui em Nogueira da Maia, sua terra natal, o grupo coral da freguesia para apoio ao serviço religioso, integrando crianças de idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos, constituído por 40 elementos, formação que se manteve até 1928.

Passados 9 anos, em 1935, António Costa assume o cargo de contra-mestre da Banda de Gueifães, acumulando com o de Director Artístico e Musical do Coro religioso da banda.

Em 1938, com 32 anos, movido pelo amor à Música e à sua terra, criou a Escola de Música de Nogueira da Maia, que iniciou a sua actividade com 12 alunos, e a Orquestra “Os Amigos de Santo António” que tinha como alfobre a escola que ele próprio criara.

A formação daquelas duas estruturas, a escola e a orquestra deram-lhe a força anímica e a confiança necessária para que em 1939 tomasse a decisão de fundar a Banda de Nogueira da Maia, cujo concerto de estreia se realizou no parque de jogos do Sport Club Nogueirense, e da qual foi director e regente até 1946, altura em que essa formação, por vicissitudes e dificuldades diversas, passou para a sede dos Bombeiros Voluntários de S. Mamede Infesta, tomando a denominação daquela corporação humanitária.

O seu labor e dedicação à música levou a que diversas instituições e agremiações culturais o convidassem para organizar e colaborar activamente nas suas produções e realizações, como aconteceu com a Casa do Povo de Vermoim, que lhe confiou a criação de um Orfeão Infantil, o qual integrava cerca de 30 crianças e que foi levado a inúmeras casas de espectáculos. Já nos anos sessenta foi director do Grupo Coral de Nogueira que teve actuações em várias freguesias do concelho e outras terras circunvizinhas.

A Banda de Nogueira da Maia, que fundou, foi extinta em 1982, tendo sido dirigida ainda por si até 1975, ano após o qual lhe sucederam na regência os seus filhos Ilídio e Fernando, dois músicos profissionais conceituados e muito respeitados no meio musical, onde fizeram carreira, sendo que o primeiro foi um destacado fagotista da extinta Orquestra da RDP-Porto, anteriormente chamada Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional e o segundo, um reputado músico militar e regente de várias bandas filarmónicas civis.

O Mestre Costa, de Nogueira, pedagogo, instrumentista e compositor foi um dos músicos mais prestigiados e respeitados em toda a região.

O facto de ter sido nos primórdios da sua vida, tal como S. José, carpinteiro de profissão, nunca o impediu de desenvolver continuamente por moto próprio as suas faculdades e talentos inatos para o ensino da música, tocando habilmente vários instrumentos, desde o piano, ao violino, passando obviamente por uma série de instrumentos dos vários naipes que compunham as bandas, sendo que muitos deles aprendeu como autodidacta. Essa sua aptidão natural para a pedagogia musical fez dele um dos mestres mais desejados e requisitados, facto que o levou também a dirigir, em 1973, o ensino da música na Escola Dramática e Musical de Milheirós, onde organizou e dirigiu uma orquestra juvenil, composta por mais de trinta executantes, que realizou inúmeros concertos por toda a região Norte.

Em 1985 fundou na freguesia de Águas Santas o Coral Polifónico de Parada, que integrava cerca de 40 elementos.

Era filiado no Sindicato de Músicos do Norte, sendo portador da carteira profissional de Maestro e desde 1946 que era membro da Sociedade de Compositores e Autores Portugueses.

Na Arte de compor, o Mestre Costa também não deixou os seus créditos por mãos alheias legando à sua família, aos nogueirenses e maiatos em geral, um património constituído por 14 marchas, no género de marchas de rua, de procissão e fúnebres, 6 obras ao estilo clássico, 15 rapsódias, 3 missas completas em língua portuguesa e 13 obras destinadas ao chamado Teatro Musicado, um género muito em voga na Maia e na região até meados dos anos 70, do século passado, para além de outras peças artísticas avulsas de diversos géneros que ainda não estão catalogadas, como se espera possa vir a acontecer um dia, para posterior edição.

Pai de 7 filhos, 2 raparigas e 5 rapazes, todos músicos, dois deles profissionais e os restantes amadores, o Mestre António Costa teve entre outros méritos, o de deixar na sua terra uma enorme legião de melómanos com uma paixão muito especial pelas bandas filarmónicas.

Averba igualmente como seu, o mérito de ter sido um dos maiores impulsionadores do ensino da música, de uma forma regular, organizada e metódica, resultando dessa sua sementeira, os frutos que se traduziram em centenas e centenas de jovens a frequentar os conservatórios, academias e escolas superiores que fizeram deles grandes profissionais, sendo que, não raramente, surge a marca impressiva do nome Costa.

No dia em que se fizer um dicionário dos músicos, ou em sentido mais lato dos artistas maiatos, ou se escrever a história da vida cultural da Maia, o Mestre António Costa terá por direito próprio um capítulo especialmente dedicado à sua vida e obra, onde há-de constar a condecoração com a medalha de ouro de mérito cultural com que foi agraciado pelo Município da Maia no dia 23 de Março de 1986, por proposta do então Presidente da Câmara, Professor Doutor José Vieira de Carvalho, datada de 12 de Março do mesmo ano, distinção que permite aquilatar bem da importância atribuída pela edilidade maiata a esta personalidade e ao seu espírito de serviço à música, à juventude e à comunidade.

 

Victor Dias


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