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Igreja Conventual de S. Salvador

Antigo mosteiro que data de meados do Séc. IX. A igreja, seiscentista, é a mais antiga da diocese do Porto, tendo levado 34 anos a edificar. Em meados do Séc. XII, este Mosteiro já teria adoptado a regra de Santo Agostinho. A fachada da Igreja apresenta-se regrada e austera. O granito dá-lhe um tom sombrio. A planta da Igreja é de nave única, com falso transepto aproveitado em capelas, inserindo-se ainda, no segundo terço superior da nave, duas capelas laterais.

As dimensões totais da Igreja (cerca de 45 x 11m), a envergadura e altura da nave de abóbada de berço, de caixotões regulares, o monumental cruzeiro, a relativa grandeza, apesar da sua pouca profundidade, das capelas laterais e, finalmente, a expressiva imponência da espaçosa capela mor, emprestam ao conjunto uma clara sensação de dignidade, grandeza e monumentalidade, já anunciada de resto, no portal principal sob a galilé e, logo depois, no amplo arco abatido que suporta o coro.

A riqueza da Igreja é manifestamente acrescentada pelo altar-mor e pelos dois altares do cruzeiro, de execução posterior ao edifício, em talha barroca maiata. Lembra-se ainda o azulejo seiscentista de padrão contínuo, o cadeiral dos cónegos, o tecto da sacristia em caixotões de castanho, a ala Norte do Claustro, o orgão barroco e a relíquia do Santo Lenho que se encontra lá desde 1085.

Quinta do Mosteiro

A Quinta do Mosteiro remonta a muitos séculos atrás. A sua fundação é da autoria da ordem dos Agostinhos da Santa Cruz, no ano de 1060. Porém, durante mais de quinhentos anos, o tempo encarregou-se da sua degradação, tornando-se imperiosa a reconstrução do edifício. Foi então no século XVII que a Quinta começou a ser reconstruída pelo Prior Brandão, concluindo-se as obras em 1622. Já no século XIX o Mosteiro foi vendido a um desembargador, e alguns anos mais tarde, novamente vendido ao tribuno liberal, José Estevão Coelho de Guimarães.

A Quinta do Mosteiro atingiu todo o seu esplendor durante a posse do conselheiro Luís de Magalhães, na passagem para o século XX. Estadista, combatente monárquico e intelectual da geração de 70, Luís de Magalhães manteve grande intimidade com escritores como Oliveira Martins e Eça de Queirós, tendo este último referido algumas vezes, nas suas abras, a Quinta do Mosteiro e todo o seu especial encanto.

Hoje a Quinta continua a transmitir o mesmo esplendor. Dividida entre duas famílias, Sottomayor e Vanzeller, a Quinta do Mosteiro mantém-se presente no nosso património, guardando para si um passado quase milenar.

Praça do Exército Libertador

Um pouco à semelhança de artes como a pintura e a escultura, os espaços tambem contam História. As grandes revoluções e contra-revoluções da História de Portugal passaram quase obrigatoriamente pelo norte do país. A Maia, também ela, foi palco desse tempo que ainda hoje se constrói. O Parque de Pedras Rubras é disso exemplo flagrante. Em 1832, D. Pedro desembarcou com o exército Liberal em Pampelido (Mindelo). As tropas do então regente do reino, em nome de D. Maria Glória, acamparam nesta praça, preparando então o que viria a ser a implantação do regime liberal e o consequente afastamento de D. Miguel. Hoje as revoluções são outras. Todas as semanais, à Quinta Feira, o parque recebe uma feira, a mais tradicional do Concelho. A partir das seis da manhã vende-se ali um pouco de tudo, desde roupas a alimentos. Semeado de árvores, o parque tem em cada extremidade uma igreja: a capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens e a capela do Cristo Rei de Pedras Rubras e ainda o Nicho das Alminhas, únicas testemunhas de toda a actividade secular que o parque proporciona.

Do passado, restam apenas as imagens que o mestre Albino José Moreira (1895/1994) nos transmitiu em aguarela, onde podemos acompanhar não só a evolução do parque como também da sociedade local, que vê hoje os seus hábitos completamente modificados em relação ao início do século.