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Arqueologia Industrial

A Arqueologia Industrial tem como objetivo o registo, a investigação e a análise dos vestígios materiais resultantes do desenvolvimento social, económico e tecnológico do período histórico que se inicia com a industrialização, cuja finalidade é produzir conhecimentos históricos capazes de o interpretar e explicar.

O estudo do passado industrial contempla os vários aspetos que caracterizam o surgimento e o desenvolvimento da sociedade industrial, desde os sistemas de transporte, às condições de vida da população, das instalações fabris e dos sítios industriais. Esta disciplina serve-se do método arqueológico e dos seus procedimentos específicos como a prospeção; a escavação; a pesquisa documental e a análise estratigráfica sedimentar e construída, para produzir os conhecimentos a partir dos quais se poderá compreender, interpretar e explicar os diferentes aspetos do período que é objeto do seu estudo.

O conceito de património industrial compreende todos os vestígios materiais das sociedades economicamente avançadas ou desenvolvidas, ou seja, os bens móveis (instalações e equipamentos) e imóveis (paisagens, sítios e edifícios) que testemunham a existência de atividades industriais nessas sociedades, incluindo fontes de energia, habitações, inovação nos transportes e comunicações, exploração de recursos naturais, serviços de utilidade pública e correspondente maquinaria.

As fontes utilizadas no estudo dos vestígios materiais da industrialização são muito variadas, contemplando, para além das diferentes leituras que os próprios sítios industriais possam proporcionar, a documentação existente nos mais diversos arquivos, a cartografia, a fotografia, a iconografia, etc.

Os diferentes aproveitamentos hidráulicos, caso da indústria de serração e a indústria de moagem (a modernização através da introdução dos mecanismos a vapor) ou o processo de mecanização dos transportes, nomeadamente as estruturas ferroviárias secundárias (muitas das quais atualmente desativadas) são alguns dos temas mais estudados pela Arqueologia Industrial. Nestes casos, a importância da preservação através do registo criterioso adotado da arqueologia clássica, consistindo no desenho técnico de pormenor de todo o edificado; no registo fotográfico criterioso; na implantação topográfica; na descrição das técnicas e materiais de construção, na interpretação do processo de construção, aos quais se juntará o resultado das informações provenientes da pesquisa documental, oral e da prospeção e reconhecimento dos locais. Esta metodologia, podendo ser utilizada no registo de outras construções tradicionais privadas ou públicas da sociedade moderna, não significa que tudo mereça ser conservado, deve ser estudado e registado de acordo com critérios próprios, permitindo obter os conhecimentos históricos que só dessa forma se poderão conseguir.

Na antiga Linha da Trofa, a estação da Maia e a estação do Castêlo da Maia, são bons exemplos de recuperação, integração e manutenção do património ferroviário no concelho.

 

Gabinete de Arqueologia

Para mais conhecimentos:

CORDEIRO, José M. Lopes (1994) - A arqueologia industrial. Uma vertente fundamental da

arqueologia urbana, Bracara Augusta, Braga, XLV, 97 (110), pp. 169-190.

CORDEIRO, José M. Lopes (2000) - Arqueologia e Património Industrial na Zona do Grande

Porto, um balanço de 15 anos, Almadan, Centro de Arqueologia de Almada, IIª série, n.º 9,

pp.117-128.

CORDEIRO, José M. Lopes (2001) - Indústria e energia na Bacia do Ave (1845-1959), Cadernos

do Noroeste (Série História 1), Braga, 15 (1-2): 57-174.

CORDEIRO, José M. Lopes (2007) - O património industrial em Portugal: situação atual e

perspetivas de futuro, Arqueologia Industrial, Braga. IV Série, Vol. III, nº 1-2, pp. 41-50, (2007).

CORDEIRO, José M. Lopes (2011) - Algumas questões sobre o estudo e a salvaguarda de

paisagens industriais. Labor & Engenho, Atas da Conferencia Internacional sobre Patrimônio e

Desenvolvimento Regional, V. 5, n.º 1, Brasil.