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Cineclube da Maia exibe "CICLOS PEQUENOS"

Para este mês de Setembro, o Cineclube da Maia propõe uma nova edição dos Ciclos Pequenos, um conjunto temático de três sessões a ter lugar à sexta-feira à noite no Pequeno Auditório do Fórum da Maia. Para uma programação subordinada ao tema dos "Novos Direitos", foi convidada a Professora Drª. Luísa Neto, Professora Associada da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, que apresentará o ciclo na primeira sessão.

 

 Programa:

 

14 SET | "Os Gatos Persas" |

com apresentação do ciclo por Luísa Neto, Prof. Associada da Faculdade de Direito da Universidade do Porto.

[realização: Bahman Ghobadi | Cor | 2009 | Irão | Drama | 106min | M/12]

 

21 SET | "Larry Flint" 

[realização: Milos Forman | Cor | 1996 | EUA | Biografia, Drama| 124min | M/16]

 

28 SET | "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" 

[realização: Cristian Mungiu | cor | 1997 | Roménia | Drama | 113min | M/12]

 

Data/Hora: 14, 21 e 28 de 2012 | 21h30

Local: Pequeno Auditório do Forum da Maia

Preço: 2€* normal | entrada gratuita para associados

(* a presença nas três sessões do ciclo dá direito a um cartão de associado semestral)

 

 

"A democracia como “sensação de barulho” de que falava Tocqueville implica um espaço público de discussão e de necessário consenso.

Ora, enquanto forma de regulação social, nunca o Direito se viu tão assediado por uma concepção aberta do humano, nem tão permeável à opinião pública. De facto, se o Direito tem uma inequívoca missão de conformação da vida social e de paradigma de coexistência dos comportamentos humanos, é importante que se não alcandore em despudorada torre de marfim. Mas também não deve entender-se como o Rei Midas: isto é, o Direito não tem que se precipitar a tudo juridificar.

 

Falamos afinal de novos direitos ou apenas de novos objectos para o Direito?

Repare-se que a sociedade que o Direito pretende regular deixou de ser homogénea, para acolher os desafios do que se usa chamar multi ou transculturalismo e que decorrem da não sobreposição entre Estados e nações, da multiplicidade de relações entre os Estados e as religiões, da reivindicação de redefinição do vínculo de cidadania com base num conceito inclusivo de diferentes realidades e culturas. Ora, a aceitação da diversidade cultural – e da igualdade de oportunidades e da equidade - é condição essencial de aprofundamento da democracia mas a par da coesão social.

No entanto, o próprio consenso sobre o que deve ou não ser protegido como bem público justifica renovada discussão sobre o que deve ser ou não objecto do governo de todos e para todos.

Finalmente, acrescenta-se uma dimensão insuspeita que decorre das potencialidades técnicas: o Homem, tradicional sujeito de Direito, regressa hoje transfigurado também surpreendentemente na veste simultânea do objecto, exigindo que se tracem limites de licitude ética e jurídica à estrita possibilidade científica.

 

A configuração deste ciclo de cinema visa contribuir para a abordagem crítica destes três temas que as mudanças na vida social trazem hoje à regulação jurídica.

Os quadros formais da problematização jurídica podem sintonizar as experiências de cidadania. E se nem todos somos juristas, todos somos cidadãos – e, espera-se, cidadãos activos porque informados."

 

Luísa Neto, Prof. Associada da Faculdade de Direito da Universidade do Porto