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COMO SE FAZ UMA ESCAVAÇÃO ARQUEOLÓGICA

Antes de seguirmos viagem através de alguns dos métodos e das técnicas de escavação que o Arqueólogo utiliza no seu trabalho de campo, detemo-nos um pouco no conceito de Sítio Arqueológico. No sentido geral, um sítio arqueológico é atualmente entendido como uma área descontínua e delimitada onde seres humanos viveram, trabalharam ou aí tiveram qualquer atividade e os indícios físicos dessa atividade podem ser recuperados por arqueólogos.

Perante evidências arqueológicas para a eleição da metodologia e da organização do trabalho deve-se ter em consideração algumas questão ou fases. Começamos então pela formulação do problema, à qual se segue a implementação, a aquisição de dados, o seu processamento, a análise e interpretação, elaboração do relatório técnico, salvaguarda e proteção do registo e das evidências, terminando o processo com a divulgação dos resultados.

O método de implantação da quadrícula de escavação pode ser executado com recurso a um teodolito, a uma estação total ou implantada manualmente. A implantação manual da quadrícula utiliza o conhecido teorema de Pitágoras (num triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos). Deste modo, um quadrado com 2 metros de lado estabelece-se com a implantação de duas cavilhas a uma distância de 2 metros. Cruzam-se duas fitas métricas, respetivamente a partir de uma das cavilhas, uma com 2 metros e a outra com 2,828, sendo o local de intersecção o ponto da terceira cavilha. A quarta dista 2 metros das duas cavilhas mais próximas, perfazendo o quadrado. A organização e a designação das unidades de escavação podem variar. Quando os eixos principais da quadrícula respeitam o norte magnético, normalmente utiliza-se um sistema alfanumérico, em que cada quadrado é designado por uma letra e um número, cujo eixo alfabético cresce de oeste para este e o eixo numérico cresce de sul para norte, permitindo o aumento da quadrícula em qualquer direção e consequentemente a área de escavação.

Para a leitura vertical da escavação estabelece-se o denominado ponto zero. O ponto zero é fixo e deverá manter-se ao longo de toda a intervenção arqueológica. O valor do ponto zero é normalmente correspondente a um valor positivo (exemplo: 100 metros) posteriormente convertido em cota absoluta, ou seja, em relação ao nível médio das águas do mar. A partir deste ponto temos a leitura verticalmente de toda a escavação, uma vez que horizontalmente a leitura é assegurada pela implantação da malha de quadrícula e correspondente referência individual alfanumérica.

O método de escavação por camadas ou unidades naturais é o mais utilizado. Este método permite um controlo de escavação no sentido inverso da formação estratigráfica, ou seja, inicia-se a escavação a partir do depósito sedimentar mais recente e assim sucessivamente até ao mais antigo. Seguindo os princípios e os métodos da Estratigrafia a relação estabelecida entre duas unidades individualizadas é de posterioridade, contemporaneidade ou anterioridade, por outras palavras, a camada superior é mais recente que a camada que se encontra por baixo e a camada que encosta e que corta é posterior à camada que é cortada. Deste modo, a escavação é sempre acompanhada de um registo descritivo, gráfico, fotográfico e vídeo que irá permitir a contextualização das evidências arqueológicas e das amostras efetuadas. A fase seguinte é desenvolvida no trabalho de gabinete e diz respeito ao processamento, análise e interpretação de todos os dados provenientes da escavação arqueológica.