Ferramentas Pessoais

Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Você está aqui: Entrada / Notícias e Eventos / "Datar o passado em Arqueologia: o método por radiocarbono (C14)"

"Datar o passado em Arqueologia: o método por radiocarbono (C14)"

Existem dois grupos principais de métodos de datação utilizados em Arqueologia. O primeiro grupo diz respeito aos métodos de datação relativa, os quais permitem estabelecer sequências temporais em diferentes escalas de análise, através dos princípios de Estratigrafia e pelo reconhecimento dos artefactos e das representações artísticas em sequências tipológicas e estilísticas. O segundo grupo é representado pelos métodos de datação absoluta, que partindo dos progressos de diferentes áreas de conhecimento (Física; Química; Botânica, etc.), permite-nos situar os acontecimentos passados numa escala numérica mais precisa, comparativamente ao grupo anterior. Entre os vários métodos de datação absoluta, com diferentes objetivos e abrangência temporal, o método de datação por radiocarbono (C14) é de todos o mais utilizado.

Este método foi inventado e demonstrado em 1947 pelo físico norte-americano Willard Frank Libby. O seu princípio base é a avaliação quantitativa da taxa do isótopo radioativo de carbono C14 presente na matéria orgânica. Formado nas camadas superiores da atmosfera terrestre pela ação da radiação cósmica, o radiocarbono é objeto de um rápido processo de reação, transformando-se em dióxido de carbono radioativo, que se dispersa pela atmosfera terrestre, assimilado por todos os seres vivos, incluindo os humanos através da respiração e alimentação.  A taxa de representação de C14 no ser vivo mantém-se em equilíbrio até à sua morte e a partir deste acontecimento verifica-se um progressivo decaimento. Assim, a medição da quantidade de C14 residual e a sua proporcionalidade em relação à presença de C12 (dióxido de carbono estável) são suficientes para obter a datação de uma amostra de matéria orgânica como carvão vegetal ou ossos identificados durante uma escavação arqueológica.

A premissa de Libby de que a taxa de dióxido de carbono atmosférico teria permanecido estável ao longo do tempo seria reajustada com o contributo da Botânica através da Dendrocronologia. Os trabalhos desenvolvidos por esta disciplina, vieram demonstrar diferenças observadas ao nível dos vários ritmos de crescimento dos anéis das árvores, com variações ao longo do tempo e entre diferentes áreas geográficas durante o mesmo período. As diferenças notadas, apresentam uma tendência cíclica e resultam da instabilidade do campo magnético da Terra, consequentemente na maior ou menor capacidade de formação de dióxido de carbono. Esta questão foi resolvida através da comparação dos resultados obtidos sobre a mesma amostra, entre as sequências dendrocronológicas existentes e a análise através do C14. Do resultado desta operação resultaram as curvas de calibração que servem, precisamente, para calibrar os resultados da análise de C14.

Embora a datação por C14 ainda apresente uma abrangência temporal limitada a 30.000 anos (aproximadamente), já é atualmente possível proceder à contagem direta do número de átomos de C14 presente no material submetido a datação através do método por espectrometria de massa por acelerador AMS (Accelerator Mass Spectrometry). O desenvolvimento deste método resultou na diminuição substancial do tamanho das amostras que queremos analisar (antes expressas em gramas, hoje em miligramas); na redução do tempo necessário à obtenção dos resultados e na maior abrangência temporal que o método permite.

 

               

Gabinete de Arqueologia