Ferramentas Pessoais

Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Você está aqui: Entrada / Notícias e Eventos / Exposição Coletiva "PINTURAS DE GUERRA II" no Fórum da Maia/ Centr'Arte

Exposição Coletiva "PINTURAS DE GUERRA II" no Fórum da Maia/ Centr'Arte

Inaugura no próximo sábado, dia 16 de março, às 22h00, no Fórum da Maia/ Centr'Arte, a Exposição Coletiva de Artes Plásticas intitulada "PINTURAS DE GUERRA II". Onze artistas plásticos exibem os seus trabalhos nas áreas da pintura, escultura e instalação. A exposição está patente ao público até 13 de abril de 2013.

 

Autores: André Fonseca, Dário Cannatá, Francisco Babo, Hernâni Reis Baptista, Horácio Frutuoso, José Oliveira, Luís Figueiredo, Mário Antunes, Raquel Moreira, Sarah Klimsch e Vítor Israel.

Horário: 2ª das 18h00 às 23h00, 3ª a 6ª, das 09h30 às 23h00 e sábados, das 09h30 às 22h30. A entrada é gratuita.

Destas Pinturas de Guerra

Conceitos básicos:

 

Cânone (do greg. Kanon) vara-referência para uma unidade de medida.

Simetria (do greg. Syn e Metron): a qualidade que tem a mesma medida.

Proporção (do lat. Pro Portione): acordo harmonioso na relação entre as partes.

Harmonia (do greg./lat. Harmonia): concordância, correcta combinação.

Escandalo (do greg. Skandalon): obstáculo.

Cenário (do greg. Skene): Espaço onde a tragédia se desenrola.

Obsceno (do lat. Obscenus): fora de cena (a morte, no drama/tragédia, só podia acontecer fora de cena, longe do olhar directo dos espectadores).

 
Da coisa em si*:

 

Esta exposição – “Pinturas de Guerra” – é, do ponto de vista canónico (kanon), contra-natura. Escandalosa. Assimetricamente escandalosa.

É uma exposição repleta de obstáculos (skandalon) às consciências apaziguadas pela letargia do não querer olhar para não ter que ver. O que deveria ser obsceno (obscenus) é atirado para que exploda, diante de quem é obrigado a ver, como uma bomba de fragmentação. Não há cenário (skene), não há arranjo prévio, preparação, cénica, mas sim o resultado violento, desproporcionado (s/ pro protione) do impacto trágico. E do resultado o que reconstruir?

 

A propósito da coisa:

 

Não é uma exposição sobre o extraordinário. Bem pelo contrário. É uma exposição sobre o que se tornou banal. Tão banal que quase já não se dá conta. O “mau” do Mal não é o Mal em si mesmo, mas a sua banalização, não dando tempo nem condições ao seu contraponto que é o Bem. Na verdade, essa banalização, mais do que o reflexo, é o testemunho inequívoco da natureza dos nossos tempos, caracterizados pela velocidade tão excessiva que nos impede a síntese obrigatória do nosso próprio quotidiano. E depois do Mal? Perspectivar o Bem e Criar.

 

*Sugere-se, do ponto de vista interpretativo, o recurso aos conceitos básicos assinalados.

 
O Vereador do Pelouro da Cultura da
 
Câmara Municipal da Maia, 
 
(Mário Nuno Neves)
 
 
 

 

PINTURAS DE GUERRA II

 

"No ano de 2012 trabalhei juntamente com o Francisco Babo na produção de uma exposição intitulada “Pinturas de Guerra”, que teve lugar em Abril, numa casa na Rua Duque de Saldanha no Porto que durante alguns meses serviu de albergue a algumas mostras de cariz independente.

Não sendo ideia inicial fazer das Pinturas de Guerra um projecto contínuo ou um ciclo de exposições, cedo se percebeu que poderia evoluir nesse sentido. Deste modo, depois de ter sido desafiado pelo Pedro Ruiz para comissariar uma exposição no Fórum Cultural da Maia, achei oportuno avançar com uma sequela - desta vez com mais espaço e com mais artistas participantes. Com isto poderá dizer-se que nos institucionalizamos um pouco, o que não significa necessariamente que tenhamos perdido a nossa autonomia enquanto criadores, antes pelo contrário.

A guerra não assume aqui a qualidade de tema, é antes entendida como um ponto de partida para a produção de trabalhos cujas formas e conteúdos podem assumir um carácter mais ou menos bélico, mais ou menos belicista, em função do imaginário ou da estratégia pessoal de cada um. Foi minha pretensão reunir um conjunto de autores que, através de modos de actuação distintos, garantissem uma diversidade de soluções plásticas, não no sentido de fazer uma exposição “multimédia”, “multidisciplinar” ou “multiqualquercoisa”, mas antes com a intenção de provocar uma assimetria que – em termos de experiência estética - possa ser entendida como uma mais-valia. No entanto, mesmo correndo o risco de entrar em contradição, mais do que provocar um mero somatório de diferentes propostas artísticas, pretende-se construir um ambiente que seja susceptível de ser visto como um todo, dentro de uma lógica holística, em que a ideia de colectivo se sobreponha a uma hipotética reivindicação de protagonismo de uma ou várias parcelas.

Neste contexto, quando se fala em guerra não é possível dissociá-la da manifestação de um desejo comum, o desejo de conquista de um espaço que, enquanto artistas, nos é legítimo."

 
Vítor Israel 2013