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Festival de Música da Maia encerrou ao som do Zimbalão

Chegou ao fim a 13ª edição do Festival de Música da Maia, um certame diversificado em géneros e propostas artísticas. A marca predominante foi, sem dúvida, a bitola da qualidade que se manteve sempre a um nível acima da média.

Uma orquestra vinda da Vestefália

 

A festa da música encerrou com chave de ouro no passado sábado, com a Junge Kammerphillarmonie Nordrhein-Westfalen, uma formação orquestral que reúne jovens músicos de toda região.

O Maestro Fernando Eldoro dirigiu a orquestra como se estivesse a tocar um único instrumento. Com uma precisão impressionante e uma leveza no gesto tão ténue que dava de facto a sensação de estarmos a ver um só músico tocando todos os instrumentos da orquestra.

Antes da execução de cada obra, o pedagogo, compositor e também Maestro, Virgílio Caseiro, Director artístico da Orquestra Clássica do Centro e do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, fez breves alocuções aos compositores e às obras, facto que foi muito do agrado do público, ajudando a compreender melhor o enquadramento histórico e estético das obras ali tocadas.

Para mim e, certamente, para muitos dos espectadores ali presentes, o concerto de encerramento do Festival foi uma estreia absoluta, pois foi a primeira vez que ouvi ao vivo um Zimbalão, um instrumento característico dos países balcânicos, cuja sonoridade é de facto muito curiosa.Orquestra Alemã

Alguns dos jovens que estiveram no concerto subiram ao palco, no final, para ver o instrumento mais de perto e experimentar tocar, para se certificarem do seu timbre e construção.

Para além deste aspecto peculiar do concerto, são dignos de nota, os factos de ter estado presente um dos compositores de uma das obras interpretadas e estreada nesta tournée, a impecável afinação da orquestra e as inspiradas participações dos solistas, quer no concerto para violoncelo, como no concerto para dois violinos, sendo que a parte do 2º violino foi tocada pelo Zimbalão, o que permitiu ouvir com clara distinção as duas vozes solísticas em diálogo.

Uma última nota que não pode deixar de ser dada, é o assinalável facto de o programa incluir uma obra, Concerto em Ré, do compositor português Joly Braga Santos, brilhantemente executada, à altura do nível daquele que foi um dos maiores nomes da nossa música no século XX.



O Festival no Dia Mundial da Criança

 

Para este dia, o Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Maia organizou um concerto com um programa especialmenteConservatório Fórum desenhado a pensar nas crianças, integralmente executado por alunos do Conservatório de Música da Maia.

Participaram nesta tarde musical, a classe de dança, o ensemble dos desafinados, o coro dos alunos do preparatório e a orquestra dos alunos do Conservatório, presenteando os mais novos com canções da Disney, belos temas arranjados de compositores clássicos e ainda, excertos da sinfonia dos brinquedos de Leopold Mozart.

Depois do concerto, o público, essencialmente constituído por alunos das escolas básicas da Maia, teve ainda a oportunidade de participar em ateliers de construção de instrumentos orientados por professores do Conservatório.

A merecer uma referência particular a presença na plateia de crianças que frequentam o ensino especial das escolas da Maia, para as quais o concerto foi verdadeiramente um acontecimento.Conservatório de Música da Maia

Marcante tal era o entusiasmo e alegria com que aplaudiam e se exprimiam no fim de cada interpretação, o que foi sem dúvida bastante motivador e estimulante para os jovens alunos do Conservatório.

 



Vox Angelis evocaram as aparições de Fátima

 

O ensemble Vox Angelis deu um concerto, na passada Sexta-Feira, no Salão D. Manuel I, um dos palcos do Festival deste ano, que deixou o muito público ali presente perfeitamente inebriado pelas brilhantes interpretações dos vários excertos do Stabat Mater de Pergolesi e de várias obras de Bach.Vox Angelis

Acompanhada por um conjunto de instrumentistas de corda e por um cravista, o soprano Maria José Carvalho conseguiu uma performance vocal plena de expressividade e virtuosismo, atingindo, por vezes, um som cristalino e cheio de luminosa claridade.

Em dueto com o barítono Pedro Nunes, o soprano soube sempre conter-se e explorar o equilíbrio desejado para servir as exigências interpretativas das várias peças executadas.

O público, numa demonstração de grande sensibilidade ao belo musical, foi generoso nas suas manifestações de apreço pelo talento dos artistas e presenteou-os com vibrantes aplausos.

Neste concerto evocativo dos 90 anos das aparições de Fátima foi notória, mais uma vez, a influência das características acústicas do Salão D. Manuel I, do edifício dos Paços do Concelho, cujas condições acústicas se revelaram muito apropriadas para este género de música de câmara, proporcionando quer aos instrumentos quer às vozes, um tempo de reverberação e de espacialização quase perfeito que fez deste acontecimento um momento ímpar, quer pelo conforto disponibilizado aos artistas, como pela sensação de agradável audição experimentada pelo público.