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Irrepetível, unico - memorável...

 

O Festival de Música da Maia terá tido este fim-de-semana, porventura, dois dos seus momentos mais sublimes.

 

Pedro Burmester & Mário Laginha

O concerto que o pianista maiato, Pedro Burmester, e o seu velho amigo Mário Laginha, deram no passado sábado no Fórum da Maia foi absolutamente magistral.

Desde logo, importa sublinhar que o programa escolhido foi criteriosamente pensado, quer pelo modo como integrou as várias obras, procurando manter sempre muito aceso o interesse e atenção do público, quer pela diversidade de compositores, facto que foi determinante para certificar a enorme capacidade dos dois músicos, de deitarem, literalmente, mãos a qualquer obra, independentemente do género, estilo ou época.

Ambos são senhores de uma competência técnica irrepreensível e de uma sensibilidade artística fabulosa.

O grau de cumplicidade interpretativa foi excelente, proporcionando ao público, além da audição de uma música sublime, um espectáculo visual muito agradável, pela forma empolgante como executaram as várias peças e, mormente, pelo prazer com que, visivelmente, fizeram acontecer aquele momento único, irrepetível e memorável.

Atingir uma performance interpretativa do nível que Burmester & Laginha lograram alcançar, requer por certo que estejam reunidas duas condições essenciais, excelência nas competências profissionais e uma amizade fundada numa linguagem comum – a Música. Há um modo de ser destes dois músicos que eu partilho inteiramente e que, muito por  culpa deles, tem feito escola, é o facto de não cristalizarem num só género musical e terem mente aberta, a outras músicas, ou se preferirem, outras culturas musicais.

Todo o programa foi brilhantemente interpretado, mas para mim, a versão, em redução de orquestra sinfónica para dois pianos, do Bolero de Maurice Ravel, foi o clímax do concerto. A claridade do fraseado, absolutamente transparente, a cor e as diferentes tonalidades, a dinâmica, o rigor rítmico e a densidade harmónica, fez-me fechar os olhos e imaginar aqueles dois pianos, como se de uma orquestra sinfónica se tratasse, enfim, foi genial.

Nem sempre é fácil de imaginar, e até compreender, o sinfonismo do piano, mas se tivermos a oportunidade de ouvir estes dois grandes do piano, tudo se tornará mais claro.

 

O Presidente nos bastidores

Tem sido um hábito, a ida do Presidente da Câmara, Bragança Fernandes, aos bastidores para saudar os artistas.

Desta vez, o edil maiato, além de felicitar os pianistas, pelo magistral concerto que acabavam de dar, recebendo apoteóticas ovações do público, quis também agradecer a homenagem que Pedro Burmester prestou ao compositor, pedagogo e pianista maiato, Eurico Thomaz de Lima, interpretando duas das obras recentemente editadas pelo Pelouro da Cultura, do qual se destacou a Canção sem Palavras, uma belíssima obra do repertório que constitui o espólio legado pelo compositor.

Tomaz de Lima filho, também esteve no camarim de Pedro Burmester, para agradecer, emocionado, o gesto simbólico do pianista, por ocasião do centenário de nascimento de seu pai, ofertando ao artista, uma tese de mestrado, centrada na vida e obra do compositor.

 

OPUS ENSEMBLE

Para as pessoas que, como eu, encaram a música de câmara como um ideal artístico, em que a música atinge um patamar de fruição intelectual invulgar, o concerto do OPUS ENSEMBLE foi sem dúvida um momento de finíssimo recorte estético, artístico e musical.

A simpatia e o virtuosismo dos quatro magníficos, Olga Prats, piano, Alejandro Erlich Oliva, contrabaixo, Ana Bela Chaves, viola d’arco e Pedro Ribeiro, oboé, foram qualidades bem audíveis e visíveis, para que o muito público presente no concerto, dispensasse entusiásticos aplausos.

Quando digo muito público, posso afirmá-lo de uma forma categórica, porque ter mais de 300 pessoas num concerto de música de câmara, é um número digno de registo em qualquer parte do Mundo.

A execução e interpretação do programa foi primorosa, mas o ponto alto do concerto, para mim, é claro, foi o momento de ouvir Bach, tocado de uma forma admirável.

O quarteto maravilha tem tudo para que seja impossível não se gostar da sua Música. Tem uma paleta tímbrica diversificada, tem um som inconfundível, consistente e bonito, tem rigor técnico e uma performance artística que fazem deste conjunto o ensemble perfeito.

Juntamente com o concerto de Pedro Burmester & Mário Laginha, o OPUS ENSEMBLE, fizeram o fim-de-semana de eleição do Festival de Música, edição 2009.

 

Conservatório de Música da Maia

No domingo foi a vez dos alunos do nosso Conservatório participarem no Festival.

O ensemble de guitarras, uma das formações mais badaladas da casa e a orquestra de sopros, tiveram a seu cargo a música de conjunto, com uma prestação bastante boa, para ensembles escolares.

A nota especial vai para o flautista Tiago Carvalho, um jovem finalista do Conservatório que é senhor de um talento em potência, não deixando por mãos alheias, os pergaminhos genéticos.

O Tiago Carvalho teve uma interpretação de um concerto de Bach, a um nível muito distinto, com um rigor técnico apreciável, um som encorpado e uma performance artística que atesta bem a sua dedicação ao estudo do instrumento e o seu talento inato. Compreende-se bem a razão de ter sido o solista escolhido para representar o Conservatório.

 

Fotos: Ruben Mália