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Descobertas arqueológicas na Maia

Nota explicativa dos trabalhos arqueológicos realizados na Mamoa 5 do Leandro, Silva Escura.

Arquitectura Tumular Megalítica provida de corredor curto

 

Segundo a Carta Geológica de Portugal, o concelho da Maia tem como principais unidades geológicas os granitos, gneisses, xistos e areias, num substrato geológico de rochas eruptivas de granito não porfiróide, de grão médio ou grosseiro de duas micas.

A Mamoa 5 do Leandro, situada na freguesia de Silva Escura, no lugar de Taím, ocupa um local de passagem natural com assumida posse arquitectural no micro-espaço que a envolve. O sítio foi intervencionado na área central e corredor, zonas a Este e Sul e na área envolvente a SEE, no âmbito de medidas de minimização do Plano Director Municipal.

A Mamoa 5 do Leandro é monumento funerário do Vº milénio milénio antes de Cristo provido de corredor curto, com cerca de 20m de diâmetro e 1.80m de altura máxima. A mamoa apresenta uma planta sub-circular, sendo menos destacada a Oeste e Sul. É visível um maior reforço pétreo (couraça), a Norte e a Este, adivinhando-se, nestas zonas, uma acusada contenção periférica (áreas não intervencionadas).

A câmara revela uma configuração sub-elípica, com as dimensões aproximadas de 2.5x2x1.20m. Apesar da área da câmara acusar marcadas perturbações ao longo do tempo (destruição da cobertura e a maioria dos esteios), no interior desta ainda se conservam dois esteios tombados - o esteio lateral e o esteio da cabeçeira. O esteio da cabeçeira contém uma pintura com uma representação soliforme pintada. O apoio à estrutura central é composto por uma forte contrafortagem lítica.

O corredeor, orientado a Nascente-Poente, diferenciado em planta, é de pequenas dimensões, construído com sete pequenas lages e esteios e respectiva tampa de cobertura, com as dimensões aproximadas de 1.4x0.6x0.70m. A entrada do corredor foi tapada através de uma lage sub-verticalizada e uma pronunciada estrutura de fecho ou "condenação", impossibilitando, a dada altura, a continuidade da ocupação ou revisitação do espaço interior. A estrutura de "condenação" ou fecho, com deposições associadas, foi posteriormente coberta através de uma falsa couraça.

Na área envolvente à Mamoa 5 do Leandro, foram registadas várias estruturas em negativo e depósitos com elementos cerâmicos e líticos, quer cronologicamente enquadráveis no Neolítico, altura da construção do espaço megalítico, quer no Calcolítico e, eventualmente, na Idade do Bronze.

Os materiais exumados na câmara, no corredor e na área limite ou envolvente ao monumento, são diferenciados quanto à sua natureza, localização e associação arquitectónica. Entre a elevada diversidade e natureza dos objectos registados, destacam-se  as várias dezenas de pontas de seta, lâminas, lamelas, micrólitos, diferentes tipos de contas de colar, machados, uma goiva, recipientes cerâmicos, objectos em argila, entre outros.

A Arquitectura Tumular Megalítica ou Mamoa 5 do Leandro ainda se encontra em fase de estudo laboratorial, com vista a uma consolidação e uniformização do registo e diálogo arqueológico referente à intervenção efectuada.

Os técnicos Municipais do Departamento da Cultura: André Tomé Ribeiro, Luís Filipe Loureiro e Rui Menezes.