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Arqueologia no Concelho da Maia - O Caso de Estudo do sítio Arqueológico da Forca

No sentido da uniformização dos resultados das várias campanhas de escavação no Sítio Arqueológico da Forca e de uma maior divulgação da atividade do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal da Maia apresentamos uma síntese de um artigo intitulado “Justificação para um Cadastro de Monumentos e Sítios Arqueológicos no Concelho da Maia,

O Recinto Calcolítico com Fossos da Forca. Um caso de Estudo”, resultante de uma conferência proferida em 2011 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, subordinada ao tema “Artes Rupestres da Pré-história e da Proto-história. Estudo, Conservação e Musealização de Maciços Rochosos e Monumentos Funerários”. A editar pelo Centro de Estudos Pré-históricos da Beira Alta.

O sítio arqueológico da Forca encontra-se assinalado no Plano Diretor Municipal do concelho da Maia com o número 19. Foi identificado em 2004, no âmbito de trabalhos de prospeção para a Carta Arqueológica do concelho da Maia.

 

Localização do sítio arqueológica da Forca no extrato da Carta Militar de Portugal, 1:25.000, folha 110.”

 

Entre os anos de 2004 e 2012, foram realizados neste espaço diversas campanhas de escavação todas no âmbito de medidas de minimização de impactos relativos à construção da linha de Metro do Porto, Hipermercado Decathlon e rede de infraestruturas de água e saneamento municipal. Participaram nestas escavações diversas empresas de arqueologia como a Arqueohoje Lda., Era-Arqueologia S.A., Arqueologia e Património Lda., arqueólogos em nome individual (Alda Rodrigues, Luís Loureiro e Luciano Vilas Boas) e outras instituições como o Metro do Porto e a Câmara Municipal da Maia.

Apesar de todo este trabalho conhecem-se muito poucas publicações sobre o sítio, e sempre parcelares. Referimo-nos a um artigo de Valera & Rebuge (2008) que o dá a conhecer, pela primeira vez, a um de Muralha Cardoso (no prelo) mas resultante de uma apresentação efetuada em 2007, nas Iª Jornadas Arqueológicas do Vale do Leça, que sintetiza o relatório de escavação realizado no ano 2008, e um artigo de Bettencourt & Luz (no prelo). A última referência publicada sobre a Forca foi elaborada por Bettencourt (2011) no contexto do catálogo da exposição O Rio da Memória, arqueologia no território do Leça, realizada em 2009.

O conhecimento atual deste sítio arqueológico permite-nos algumas considerações.

Em primeiro lugar, o sítio arqueológico da Forca insere-se numa vertente suave voltada a Oeste de baixa altitude, com boas condições de visibilidade para a área circundante, nas proximidades de cursos de água tributários do rio Leça, em terrenos com qualidades drenantes, mas sobretudo, pelas suas características naturais que poderão ter funcionado como requisito à construção de estruturas em negativo de tipo fosso, valado e fossa. Localiza-se, ainda, numa área, à volta da qual, existem diversos monumentos megalíticos neolíticos e achados calcolíticos que, no passado, talvez estivessem inter-relacionados com a Forca.

Em segundo lugar, trata-se de um local que, pela área escavada e pela dispersão de materiais de superfície, terá uma área de cerca de 34 hectares.

Em terceiro lugar, a estratigrafia, as sobreposições de estruturas, as suas diferentes características, os materiais cerâmicos e as datas já obtidas revelam diferentes momentos construtivos e uma larga diacronia ocupacional ao longo do III milénio a.C.

A análise da distribuição no espaço das estruturas intervencionadas não permite reconstituir a evolução da planta do local, nem a evolução da organização interna do mesmo, na sua vasta diacronia, embora se verifique uma frequente reutilização de diversas estruturas em muitos locais.

A presença recorrente de cerâmicas de “tipo Penha” e de outros elementos de carater excecional, associadas a estruturas em negativo de tipo fosso e uma indústria lítica marcada pela especialização do talhe de sílex, elemento exógeno, que aqui parece introduzir-se através de nódulos e proveniente de jazidas situadas a diferentes latitudes a Sul do sítio da Forca, constituem um fator distintivo de outras ocupações do mesmo período cronológico referidas no Norte de Portugal.

Em épocas posteriores este lugar deixou de ser ocupado, embora de época romana surgem vários vestígios, provavelmente relacionados com a proximidade da via Cale-Bracara, conforme os miliários existentes no lugar do Ferronho, Carriça e Quinta do Paiço  nos sugerem, bem como a necrópole da Forca datada do século IV.