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Mamoa 5 do Leandro, Silva Escura, Maia. Uma arquitectura tumular megalítica provida de corredor curto

Noticia sobre os trabalhos arqueológicos realizados na Mamoa do Leandro 5, Silva Escura, pelo gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal da Maia

Mamoa 5 do Leandro, Silva Escura, Maia. Uma arquitectura tumular
megalítica provida de corredor curto André Tomé Ribeiro e Luís Loureiro
Arqueólogos da Câmara Municipal da Maia A Mamoa 5 do Leandro, situada
na freguesia de Silva Escura, no lugar de Taím, ocupa um local de
passagem natural com assumida posse arquitectural no micro-espaço que a
envolve. Este monumento foi detectado no âmbito da execução da Carta
Arqueológica do Concelho da Maia efectuada no âmbito da Revisão do
Plano Director Municipal. • Acrónimo: MLND5 • Tipo de sítio: mamoa. •
Período/Notas: Neolítico. • CNS: 21707 • Altitude: 128 metros. •
Topónimo: Taím. Divisão administrativa: Porto/Maia/Silva Escura.
Segundo a Carta Geológica de Portuga l, folha nº9C o substrato
geológico é de granitos alcalinos de grão médio ou grossseiro de duas
micas vulgarmente designado por granitos do Porto A equipa de
arqueologia da Câmara Municipal da Maia encontra-se a intervir na Mamoa
5 do Leandro desde Junho 2008. Desde então, foi alvo de escavação
integral a câmara funerária e o corredor, escavação parcial da couraça
Sul e sectores envolventes localizados a Este e Sudeste. (Fig. 2). Os
trabalhos permitiram perceber que a mamoa apresenta uma planta
sub-circular, com cerca de 20 metros de diâmetro por 1.80 metros de
altura. A sua morfologia é menos destacada a Oeste e a Sul. A Norte e
Este é visível um maior reforço pétreo (couraça), nestas zonas, não
intervencionadas, adivinha-se uma acusada contenção periférica. A
câmara funerário revela uma configuração sub-elíptica, com as dimensões
aproximadas de 2.5 metros de largura máxima e 1.20 metros de largura
mínima. A entrada na câmara funerária era efectuada através de um
corredor, diferenciado em planta, orientado de nascente para poente,
com as seguintes dimensões: 2 metros de comprimento, 1.20 metros de
altura e 0.5 metros de largura. Este espaço é definido por sete esteios
e lage de cobertura. A entrada do corredor foi tapada com uma laje
sub-verticalizada bloqueada por uma pronunciada estrutura de fecho
construída com um amontoado de rochas imbricadas(Fig. 3). Esta
estrutura impossibilitava, a dada altura, a continuidade da ocupação ou
revisitação do interior câmara funerária, não evitando a continuidade
de rituais associados à memória directa deste espaço, através de
deposições de artefactos cerâmicos, líticos e em argila. Esta estrutura
de fecho, com deposições de artefactos, foi posteriormente coberta por
uma falsa couraça. Apesar da área da câmara acusar marcadas
perturbações ao longo do tempo, que levaram à destruição da cobertura e
à extracção da maioria dos esteios, no interior desta ainda se
conservavam os alicerces dos esteios retirados Dos setes ortostatos da
anta restaram apenas dois, um dos laterais Norte e o da cabeceira. Este
último, com uma representação pintada de um soliforme, entre outros
motivos. A arquitectura ortostática da câmara funerária é reforçada por
uma contrafortagem de características monumentais. Os materiais
exumados na câmara e no corredor são diferenciados quanto à sua
natureza, localização e associação arquitectónica. Na câmara funerária
foram exumadas 50 pontas de seta (Fig. 4, 5 e 6), algumas lâminas,
lamelas, micrólitos, um cristal de quartzo hialino e diferentes tipos
de contas de colar construídas em xisto, uma conta em pedra sabão ou
anidrite, e uma outra em fluorite. O depósito funerário constituído por
dois machados um anfibolito e outro grauvaque, pela goiva, também
grauvaque, e pelo polidor, em arenito, foram efectuados em diferentes
momentos, no corredor. Na área envolvente à Mamoa 5 do Leandro foram
registadas várias estruturas em negativo do tipo fossas e buracos de
poste, ambas escavadas na alterite. No limite nascente da mamoa foi
detectado um significativo depósito de vasos cerâmicos, assim como um
machado, em anfibolito, e uma ponta de seta em lidito. Quatro metros a
nascente deste depósito surgiu um fragmento da pança de um vaso do tipo
campaniforme do estilo marítimo variante linear. O espaço envolvente à
Mamoa 5 do Leandro revelou artefactos referentes a períodos
posteriores, cerâmicas do tipo Penha. Por último, referimos um
fragmento, exumado sobre a couraçada nascente, correspondente a uma
base de fundo plano de um vaso, facto indicador da revisitação deste
túmulo durante a Idade do Bronze. A Mamoa 5 do Leandro ainda se
encontra em fase investigação e valorização patrimonial. A
consolidadção dos dados apresentados só poderá ser uma realidade após a
realização de datações por carbono 14 e o estudo paleoambiental após
análise dos dados recolhidos pela amostragem da coluna polínica. Maia.
19 de Outubro 2009.