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Marco delimitador do couto do Mosteiro de São Salvador de Moreira da Maia

Peça do mês de Outubro

Marco delimitador do couto do mosteiro de São Salvador de Moreira da Maia

 

De acordo com a documentação existente e elementos arquitetónicos avulsos, podemos referir que neste local da freguesia de Moreira da Maia, existiu uma ordem monástica autónoma desde o ano de 862.

Em 1112, foi consagrado o novo mosteiro de Moreira da Maia, pelo Bispo do Porto, D. Hugo, que reformula o programa pré românico da anterior. Em 1132, neste novo espaço é fundado um mosteiro de cónegos regrantes de Santo Agostinho. Cerca do ano de 1290, a arquitetura da antiga igreja românica terá sido reformulada de acordo com o estilo gótico. Em 1588, inicia-se a construção da atual igreja, ao estilo maneirista, tendo sido concluído o edificado no ano de 1622.

O território do couto deste mosteiro remonta pelo menos ao século XI, documentado, entre outras, com a doação de terras no ano de 1087 por Tructesindo Guterres. Na segunda metade do século XII, D. Afonso Henriques, acrescenta ao território monacal novas terras. O couto nesta altura seria demarcado por pedras ao alto ou marcos divisórios, dos quais não conhecemos nesta altura exemplares. No ano de 1335, D. Afonso IV, refere que este não tinha carta de couto, confirmando-a com base na tradição. O mosteiro de São Salvador de Moreira, sofreu durante a sua existência diversas dificuldades económicas entre outras vicissitudes. Em 1309, o prior Martin Peres contraiu um empréstimo de vinte e quatro mil libras e doze soldos relativos à edificação do novo mosteiro. Em 1318, surgem diversos conflitos com o mosteiro beneditino de Santo Tirso que levam inclusive à intervenção régia. Em 1320, o mosteiro é taxado em apenas 170 libras, um dos valores mais baixos da diocese do Porto. No ano de 1335, foi retirado ao mosteiro a jurisdição do couto. No ano de 1363, o caos parecia reinar no mosteiro obrigando o rei D. Pedro a não consentir que os padroeiros do mosteiro não penhorassem e tomassem a si os direitos e comeduras do mosteiro. Em 1476, segundo a documentação citada por Aires Fernandes Gomes, o mosteiro encontrava-se parco de rendas devido em grande parte às despesas da hospedaria que aí funcionava no apoio aos peregrinos para Santiago de Compostela. A má situação financeira do mosteiro seria tal que em 1480, apenas residiam no mosteiro o prior e três cónegos, que chegavam a desmaiar de fraqueza durante as cerimónias litúrgicas. No primeiro quartel do Século XVI, é reencontrada, pelo prior claustral D. Vasco Anes, numa cavidade da pedra de ara do altar a relíquia medieval do Santo Lenho. Em 1563, o mosteiro de São Salvador de Moreira, assiste à entrada dos reformadores da ordem, sendo eleito como prior a 27 de Julho 1567, por um período de três anos D. Jorge.

É neste momento de reforma administrativa e religiosa, que os mosteiros da congregação perdem a sua autonomia administrativa sendo integrados na congregação de Santa Cruz de Coimbra. No ano de 1611, o prior geral de Santa Cruz de Coimbra, D. Miguel de Santo Agostinho, encomenda ao juiz desembargador do Porto, Gabriel Pereira de Castro, o tombo das terras do mosteiro e a sua demarcação. É neste contexto histórico de mais de 800 anos de história que integramos, como materialidade de um tempo longo, este marco granítico de delimitação do couto, com gravado siglas A / MR / 1612: (Administração) / MR(Moreira) /, 1612.

A Divisão de Cultura e Turismo tem diversos destes marcos na sua coleção retirados em contexto de medidas de salvaguarda.

 As imagens apresentadas correspondem a dois marcos: uma regista um marco de couto no local original acompanhado por um marco de limite dos concelhos da Maia e Vila de Conde, a outra representa um marco depositado nas reservas do Gabinete de Arqueologia.
 
 
 
 
 
 
 

Bibliografia:

Carvalho, José Vieira de, O Mosteiro de S. Salvador de Moreira – Instituição Valorizadora da Terra da Maia, Maia, Câmara Municipal da Maia, 1969.
Dias, Geraldo José Amadeu Coelho, O Mosteiro de São Salvador: Os Crúzios em Moreira da Maia: História e Arte in O Mosteiro Crúzio de Moreira -História, Arte e Música, Maia, Paróquia de Moreira da Maia, 2000.
Gomes, Aires Fernandes, Os cónegos regrantes de Santo Agostinhos no norte de Portugal em finais da idade média. Dos alvores de trezentos à congregação de Santa Cruz.
Dissertação de Doutoramento em Letras, área de História, especialidade de História da Idade Média, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2011.
Marques, José Augusto Maia, Mosteiro de Moreira: uma centralidade irradiante, in O Mosteiro Crúzio de Moreira-História, Arte e Música, Maia, Paróquia de Moreira da Maia, 2000.