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Maria João e o seu quarteto no palco do Festival da Maia


O quarteto de Maria João Mendes cumpriu o seu concerto no palco do Festival de Música da Maia, o Fórum da Maia.


O evento aconteceu na passada sexta-feira, 4 de Maio, à noite e foi presenciado por mais de 150 pessoas, volume de público muito apreciável para uma formação de Jazz, constituída essencialmente por gente em início de carreira.

Esta tem sido, de resto, uma das grandes virtudes do Festival de Música da Maia. Apostar em novos valores, numa fase inicial, em que os jovens artistas têm dificuldade em penetrar no mercado cultural e afirmar o seu talento e valor artístico e técnico.

Foi assim com EZ SPECIAL, com os BOAT ZULEIKA, BELLECHASE HOTEL e muitas formações dos mais variados géneros.

Desta vez foi mais uma aposta ganha em toda a linha, quer na qualidade musical de todos os intérpretes, como na adesão incondicional do público.

Maria João Mendes, uma figura transbordante de simpatia e generosidade estabeleceu, desde o primeiro minuto em palco, uma comunicação com os espectadores que lhe permitiu conduzir o concerto para onde quis.

A sua voz doce, plena de colorido, onde a temperatura da cor variava consoante alternava entre uma balada ou um tema recheado de scatch, com a voz a comportar-se exactamente como um instrumento, com escalas próprias e a fazer um fraseado gostoso de se ouvir, conseguiu demonstrar na plenitude todo o potencial da sua voz, deixando no público uma certa curiosidade para ver como ela vai evoluir e desenvolver esse seu talento ainda pouco explorado.

Estou convicto que ainda vamos ouvir falar muito desta Maria João Mendes e do seu quarteto.

A respeito dos seus músicos, importa dizer que o pianista tocou com uma claridade, um misto de clareza com brilho, dando à mão direita tudo o que ela tem obrigação de dar, no fraseado, no improviso e diálogo com os seus companheiros de palco e deixando à mão esquerda, as virtudes de uma estrutura harmónica que pedia ao contrabaixo o suporte grave necessário, o que, diga-se em abono da verdade, nunca lhe faltou, tendo requerido do baterista uma marcação rítmica a preceito, aqui e ali, enriquecida com solos plenos de um improviso muito criativo e exuberante.

Sem margens para dúvidas, esta senhora do Jazz nacional faz-se acompanhar por oficiais do mesmo ofício, muito competentes e, tal como ela, muito talentosos.

A porta do Festival da Maia fica sempre aberta para músicos deste gabarito.