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"NO SIGNAL" - exposição de Artes Plásticas

"NO SIGNAL", exposição de artes plásticas de JOÃO CARLOS PEREIRA, patente de 20 de abril a 18 de maio do Fórum da Maia / Centr’Arte.

BIOGRAFIA/CURRICULUM
Porto, 1960

João Carlos Pereira

Vive e trabalha em Viana do Castelo. Curso de Artes Plásticas – Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto (1988);
Pós-Graduação em Direcção Artística pela Escola Superior Artística do Porto (2003);
Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (2008);
Professor Artes Visuais na escola EB Pintor José de Brito;
Seleção de exposições individuais e coletivas onde se destaca em: 2012 Noc-Noc Guimarães “Black Flag”, Galeria Serpente “Ignorar“, Porto, Portugal; 2010 Galeria Café Literário "O Céu Pode Esperar", Porto; 2008 Cozinha FBAUP “Come with me come”, Porto; 2007 “Deslocações”, Braga, "Pack", Reitoria da Universidade do Porto; 2007 Galeria Serpente “Visibilidade Impossível“ Swan Lake Projects, Porto; 2006 Galeria Barcad’artes “Morar” Swan Lake Projects , Viana do Castelo;; Galeria Teatro Académico Gil Vicente “No Man’s Land“ - Coimbra; 2002 Galeria Serpente “Ice Cream“, Porto, Portugal; Galeria Espaço Branco “Rostos“, Viana do Castelo; 2000 Galeria Serpente “Baldio“, Porto.

 


"Quem procura ter da Humanidade uma perspectiva histórica facilmente se apercebe que as expectativas, os desejos e as angústias do Homem são os mesmos há milénios, mudando apenas o modo e as circunstâncias em que se manifestam. No entanto, o século XX, por causa do desenvolvimento tecnológico, trouxe com ele dois factores cujos efeitos não são ainda mensuráveis nesse padrão repetitivo. Esses factores são, evidentemente, a velocidade e a densidade.
Hoje em dia o que acontece é partilhado com tanta velocidade – dando isso mesmo origem a novos acontecimentos em catadupa – que a síntese individual e colectiva da contemporaneidade se torna manifestamente impossível. Essa velocidade na partilha, que é uma espécie de droga catalisadora da voracidade em produzir e em consumir, provoca nas paisagens físicas e mentais uma tamanha densidade que o ver quase fica arredado do acto de olhar. Olhamos todos para as coisas como um imenso “todo”, que nos surge envolto numa miopia, num desfocar, numa espécie de nevoeiro impeditivo de ver com nitidez e perceber com clareza as partes. Esta densidade, na verdade, tira qualquer possibilidade de sobrevivência ao detalhe, o que é intelectualmente perigosíssimo já que é no detalhe que se encontram alojadas as diferenças e a necessidade de questionarmos e de nos questionarmos.
Os trabalhos de João Carlos Pereira que convosco são partilhados nesta exposição pretendem, precisamente, autonomizar o detalhe, dar-lhe o lugar devido, disponibilizá-lo na sua plenitude ao nosso olhar para que o possamos ver.
João Carlos Pereira, de certa forma, “puxa-nos as orelhas” à nossa distração, à nossa tendência natural – porque cómoda – para a preguiça em recusarmos ver o concreto que compõe o difuso que preferimos reparar. O concreto que é desprezado pelos efeitos dessa densidade que é uma violenta selva cacofónica – e esta cacofonia é, aqui, ruído, cor, forma, paladar e cheiro – que subtil e paulatinamente nos vai devolvendo o estado selvagem, mas que agora não será mais o estado do “bom selvagem”, mas sim o selvagem completamente poluído pela gordura do excesso do tudo que, ironia das ironias, é absolutamente nada."

Mário Nuno Neves
Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Maia