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Notas Soltas em harmonia plena

Promovido pelo Coral Notas Soltas, do Conservatório de Música da Maia, reuniram-se num harmonioso concerto, no passado sábado, dia 20 de Março, na Igreja Nossa Senhora da Maia, cerca de cem jovens artistas, irmanados por um sentimento comum, o seu amor à Música.

 

O coro de câmara da Academia de Música Fernandes Fão, de Vila Praia de Âncora, o coro de câmara da Academia Arteduca, de Famalicão e o coral Notas Soltas, juntaram-se, para partilhar uma experiência, por certo, muito gratificante, para todos os jovens que naquele templo, cujas condições acústicas são magníficas para a prática da Música Coral a capella, presentearam o muito público ali presente, com um concerto único e memorável.

O programa incluiu obras de J. S. Bach, G. P. Haendel, Marc Antoine Charpentier, J. Haydn, W. A. Mozart, A. Bruckner, G. Fauré, Josquin Dez Prez, Francisco Lacerda, F. Lopes Graça e alguns compositores de carácter mais ligeiro.

A frescura e juvenilidade das vozes dos talentosos artistas, cantores e instrumentistas, foram a matéria-prima de uma obra acabada e contemplada por um público muito afectuoso que não regateou o seu aplauso, dispensando calorosas e vibrantes ovações, em sinal da sua satisfação e reconhecimento.

O Maestro e Professor Pedro Sousa que dirigiu cada um dos corais em separado, juntando-os no final, num grande coral, cuja massa vocal impressionou, teve palavras de grande sabedoria, ao enaltecer o sentido de responsabilidade, de entrega ao trabalho artístico e de renovado entusiasmo, com que todos aqueles jovens se empenham, generosa e abnegadamente, numa actividade que exige espírito de sacrifício, muita disciplina e respeito mútuo. As palavras do Maestro estenderam-se também aos pais dos alunos, aos colegas docentes, às Direcções dos estabelecimentos de ensino e à Câmara Municipal da Maia, num agradecimento sincero, por todo o apoio recebido, destacando especialmente a colaboração das suas colegas, as sopranos e professoras de Canto, Ana Barros e Sílvia Pinto que tiveram interpretações solísticas, em algumas obras, merecedoras de estrondosos aplausos.

Deve dizer-se em abono da verdade que o Professor Pedro Sousa, quer pelo seu enorme talento e competência musical, como pelo exemplo da sua estatura ética e moral, é a meu ver, digno do reconhecimento da comunidade, pelo seu precioso trabalho, cujos benefícios não podem ser avaliados a curto prazo, mas que certamente deixarão marcas indeléveis, na formação da personalidade cívica, daquelas raparigas e rapazes que verão nele, com toda a certeza, um modelo de artista e de pessoa, firme nos valores, afável, fino no trato e sereno na acção, como ficou comprovado naquele concerto, onde ele estabeleceu, com toda a facilidade, uma comunicação espontânea com o público, conseguindo uma empatia de tal modo intensa que se reflectiu nos rostos de satisfação e alegria dos jovens artistas.

Relativizando tudo o que tem de ser relativizado, resta-me afirmar que foi um concerto único, irrepetível e memorável, características intrínsecas aos acontecimentos artístico-musicais marcados pela efemeridade.

Cada vez mais, o investimento que a Câmara Municipal da Maia faz na Cultura, com particular incidência na formação artística, dá frutos consistentes e de apreciável qualidade, dando passos seguros na consolidação de estruturas de produção própria, numa área em que se abrem algumas perspectivas de futuro, com o anúncio, para o norte de Portugal, do “cluster” das indústrias criativas, na qual se inserem as artes de palco e a produção de conteúdos, domínios em que, a pouco e pouco, a Maia vai afirmando a sua capacidade de conceber e executar bens de fruição intelectual, para consumo interno e externo.