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Les Choristes - Um filme sobre a mudança

Um amigo meu teve a gentileza de me presentear com um filme notável, Os Coristas, com o título original Les Choristes, do realizador francês Cristophe Barratier. Um filme estreado em 2004 que aborda a problemática da inadaptação das crianças e adolescentes, ditada por toda a sorte de dramas sociais, a quem a sociedade oferece apenas como resposta, um reformatório.

É nesse reformatório que se desenrola a maior parte da história, com crianças e adolescentes, na sua maioria rebeldes, mas submetidos a uma disciplina férrea, imposta por um director que dita as regras, segundo a sua obsessiva divisa, acção/reacção, ou seja, perante a infracção à norma estabelecida, reagir com severa punição, e ainda que o seu autor não seja descoberto ou denunciado, haverá sempre um castigo, mesmo que recaia num inocente.

Les Choristes A desconfiança entre os rapazes, a desmotivação entre os professores e o desnorte do director, incapaz de pensar e implementar qualquer estratégia ou medida proactiva positiva, graçam e consomem o quotidiano de toda a instituição.

Com a saída de um professor, chega um outro para o substituir, que ao fim de muito pouco tempo, percebe logo as dificuldades que o esperavam, a começar na incompetência pedagógica e insensibilidade humana do director.

A sua condição de Músico foi preponderante para operar uma mudança radical.

Clement Matien soube aproveitar o trautear de uma pequena canção que os rapazes utilizavam para troçar dele, transformando essa provocação numa oportunidade. Ouviu-os a todos e mesmo aos mais duros de ouvido, não deixou de entregar uma missão, potenciando as qualidades que cada um possuía, mesmo as mais ténues.

Até o mais temido e irreverente dos rapazes, recebido na casa como um caso perdido, ele conseguiu, com muita persistência e paciência, conquistar para o seu projecto, ganhar a sua confiança e integrá-lo no coral que criou na instituição.

Em poucas semanas o coral começou a fazer soar a sua belíssima música e a operar uma mudança radical no coração daqueles rapazes.

Os coristas é um filme tocante, que pode comover até aqueles que se julgam imunes à emoção, por mais armados que estejam com a sua carapaça da indiferença mediática.

 Há momentos onde o drama humano se apresenta com a crueza de uma realidade que continua actual, mas também introduz cenas cómicas que quebram esse ambiente mais emotivo, sempre muito bem sublinhado por uma música arrepiantemente bela.

Les Choiristes

O filme conta com a participação dos actores, Gérard Jugnot, François Berléand, Jean-Baptiste Maunier, a quem foram confiados os papéis principais.

O realizador Christopher Barratier, afiança a crítica cinematográfica, terá feito um remake, não homónimo, de um filme, igualmente francês, estreado em 1945, com o título original - La Cage aux Rossignols.

Os Coristas, ainda no entendimento dos críticos, recupera receitas e fórmulas, aparentemente já estafadas, de filmes tão distintos como Cinema Paradiso e Dead Poets Society.

Pese embora o facto de os especialistas na Sétima Arte, o terem considerado, um filme com um sabor intenso a “déjà vue”, o público esteve-se absolutamente nas tintas para essas opiniões e fez dele um estrondoso sucesso de bilheteira. Porquê, talvez ninguém saiba muito bem, mas o leitor vai saber, se juntar os seus filhos e o visionar em família.

Eu não tenho qualquer dúvida em recomendá-lo.

Pais, professores, alunos, empresários, profissionais dos mais diversos mettiers deviam ver este filme e reter as mensagens e os valores que ele encerra.

Julgo que não estarei longe da verdade se retirar deste filme ensinamentos, em jeito de interrogação, como por exemplo: Como poderemos querer mudar uma organização sem conhecer primeiro todos os dados da sua situação, o que os seus membros pensam dela e como esperam encontrar realização no seu seio?

Foi o que o professor, supostamente frustrado, fez, antes de definir muito bem uma estratégia que o levou a conquistar a confiança dos alunos e dos seus colegas, com gestos concretos e frequentes, cujo objectivo era a mudança. A mudança dos métodos, dos objectivos e das relações humanas, através de uma linguagem universal que actua directamente ao nível mais profundo do ser humano, o das emoções e sentimentos, provando que a mudança dos comportamentos e atitudes, só se pode operar, de dentro para fora, começando pelo coração, entenda-se a alma.