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"Primavera do Teatro" na Maia

Com luzes, sem câmaras e muita acção, arranca na próxima terça-feira, 24 de Março, a terceira edição da Primavera do Teatro. O Dia Mundial desta arte cénica comemora-se a 27 de Março e a Câmara Municipal da Maia em conjunto com o Teatro Art’ Imagem, apresentam este ano uma novidade. Este ano, os actores desconhecidos da Maia saem do anonimato. Vão desfilar pelo Grande Auditório do Fórum peças encenadas por seis colectividades maiatas, na primeira Mostra de Teatro de Amadores da Maia, baptizada de “Maia ao Palco”, iniciativa que se prevê realizar-se anualmente. Uma espécie de "commedia dell'arte" do séc. XXI,  as colectividades maiatas, até agora desconhecidas, vão ter a oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido ao longo dos anos  na principal sala da Maia e assim incentivar o intercâmbio de experiências com o público e também com as várias colectividades.

Além dos espectáculos teatrais, filmes e até um musical, faz parte do programa uma oficina de expressão dramática. Da Grécia antiga até hoje em dia, o teatro sofreu mudanças e, por isso, a Primavera do Teatro promove a dinâmica entre esta arte cénica e outras formas de expressão artística, como as artes plásticas, a literatura, o vídeo e o cinema. A multidisciplinaridade é uma das actrizes principais. Em conferência de imprensa, o Vereador do Pelouro da Cultura da Maia, Mário Nuno Neves, considera o “Maia ao Palco” uma iniciativa “única no País”. Adianta ainda que a “Maia é um dos concelhos onde o teatro é mais valorizado” e lembra que, além da terceira edição da Primavera do Teatro e do novíssimo Maia ao Palco, o Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia tem sido “a pedra de toque anual do teatro no concelho”. O Vereador considera que, além de drama e gargalhadas, o teatro é também “um instrumento de cidadania”. O teatro é “o primeiro arauto das rupturas necessárias, e uma vivência teatral significa uma vivência comunitária rica e activa”, acrescenta Mário Nuno Neves.

O responsável pela companhia de Teatro Art’ Imagem, José Leitão, diz que o “Maia ao Palco era uma vontade antiga, uma ideia que vínhamos a perseguir ao longo dos anos”. Em fase de ensaios, a peça final está a tomar forma, e a mostra de teatro amador é agora realidade e uma aposta clara. José Leitão adianta ainda que é vontade do Teatro Art’ Imagem e da autarquia maiata dar outra dimensão à mostra do teatro amador, e quer “engrandecer e tomar uma coisa mais completa, um verdadeiro festival de teatro das colectividades amadoras”. 

Do teatro de revista, como na peça “Sorria está na Maia” até encenações baseadas nos textos do dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca e dirigidas por profissionais das artes cénicas, como “A Casa de Bernarda Alba”, tudo vai passar pelo grande auditório do Fórum da Maia. Depois do festival de teatro, vai haver lugar para um encontro em forma de confronto. O responsável pela companhia Art’ Imagem, José Leitão, revela ainda todas as companhias vão ser obrigadas a ter um “olheiro” em todos os espectáculos, para que no final para que o debate, no final do evento, seja possível.

Sempre pelas 21.30h no Grande Auditório do Fórum da Maia, o pano do Maia ao Palco sobe, pela primeira vez, na terça-feira. Nos dois primeiros dias, a revista vai estar em grande. O festival abre, dia 24, com a peça “Tudo à Mistura” do Grupo Dramático e Recreativo Flor de Pedrouços. No dia seguinte, é a vez da peça “ Sorria está na Maia, orquestrada pelos Fontineiros da Maia, que convida o público não sé a sorrir, como a rir.... Na quinta-feira, o pai do teatro português, Gil Vicente, visita do Fórum da Maia, através da “Rapsódia Vicentina”, encenada por João Sá e levada ao palco pelo grupo de teatro “Pé no Charco”. A rir se criticam os costumes. Sexta é dia de Lorca - Federico Garcia Lorca. Vítima da Guerra Civil Espanhola, levanta-se para abrir a porta d’”A Casa de Bernarda Alba”. Mas não entra, porque a peça é só de mulheres e para mulheres. Para ver Angústias, (o nome de uma das personagens da obra de Lorca e não o substantivo feminino) e todas as outras peças, basta desembolsar 1 euro, o preço do bilhete. O festival termina com peças para os mais pequenos, como o mini-musical “O Rei Leão” encenado por Daniela Costa, e o “Principezinho”, a consagrada obra de Antoine Saint-Exupéry, adaptada por Joana de Pinho e encenada por Carlos Frazão.

Do programa fazem ainda parte vários workshops de teatro, para públicos infantis e seniores, e também se leva ao teatro o cinema, com a exibição do filme "A Caixa", uma adaptação de Manoel de Oliveira da obra do dramaturgo Prista  Monteiro. Estas actividades têm lugar na Biblioteca Doutor José Vieira de Carvalho e precisam de marcação prévia.