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Três grandes concertos na Primavera da Música

Tal como tínhamos vaticinado, os três concertos programados, para o fim-de-semana passado, no Festival de Música da Maia, edição 2008, foram de altíssima qualidade estética.

 

7 de Cordas

 

O septeto de cordas dirigido pelo violinista Maiato, José Ernesto Tavares, professor e director da Orquestra dos alunos do Conservatório de Música da Maia, presenteou o público com um programa que incluiu na primeira parte, obras de grandes compositores clássicos, como a Pequena Serenata Nocturna, de W. A. Mozart, o concerto em ré menor (op. 3, nº 11), de A. Vivaldi e a Sinfonia Simples, de B. Britten, optando por preencher a segunda parte com um repertório um pouco mais acessível ao público, com arranjos de excertos da Ópera Cármen, de Bizet e de obras de outros compositores como Boccerini, além de temas como Yesterday, de John Lenon & Paul McCarteny, Garota de Ipanema, de Tom Jobim ou New York New York, de J. Kander.

 

A nota máxima vai para a violetista Teresa Correia que, sem qualquer desprimor para os outros instrumentistas, teve uma prestação interpretativa que se evidenciou pela qualidade artística da sua execução.

 Quarteto sabiá

Quarteto Sabiá

No sábado, o Festival viveu um momento de rara beleza, com o Quarteto Sabiá, numa demonstração de enorme virtude interpretativa, executando na íntegra, o quarteto de cordas, em Sol menor (op. 27), de Edward Grieg, uma obra fantástica, plena de emoção e exigência técnica e artística que não está ao alcance de todos os músicos.

 

Talvez a natureza nórdica do compositor tenha tido a sua influência na criação desta sua obra, que num certo sentido é um verdadeiro monumento da Música de Câmara, lembrando um Iceberg dos mares do norte, com a forma de uma catedral de finíssimas linhas melódicas e estruturantes pilares rítmicos e harmónicos, enfim, uma preciosidade neste género musical.

Este Quarteto Sabiá, apresenta uma outra extraordinária dimensão, a sua interculturalidade. Juntando uma alemã, uma austríaca, um russo e um brasileiro, consegue um encontro de culturas que se expressa sem dificuldade, numa linguagem universal, mais do que apenas a Música, que a Arte, em absoluto.

 

sabiáIsso mesmo ficou comprovado na segunda parte do concerto, em que o público viajou pela Europa toda, deu um salto à Argentina, passou várias vezes pelo Brasil, sempre com os condimentos necessários a um espectáculo digno de qualquer grande capital cultural, ou seja, um refinadíssimo sentido de humor, sensualidade qb, facilidade na mudança de registos musicais e culturais, leveza e excelente postura em palco e sobretudo, muita Poesia.

 

Na segunda parte do concerto, o exigente público ali presente, teve a oportunidade de ouvir, O trenzinho do Caipira, de H. Villa Lobos, Lamentos, de Pixinguinha, Look to the sky, de Tom Jobim, Oblivion, de Astor Piazzolla, o Pato, de N. Teixeira, os Argonautas, de Caetano Veloso, Love me or leave me, de W. Donalson, La fole, de E. Piaf e muitos outros sucessos da música ligeira que constitui o repertório internacional.

 

O Quarteto Sabiá que nessa noite lançou o seu mais recente álbum, em formato CD, a julgar pela expressão de satisfação e contentamento estampada nos rostos dos espectadores,  conquistou o público do Festival de Música e dourou mais uma página na história cultural da Maia.

 

A voz humana como único instrumento

 

Aquijazz

 

O concerto proporcionado pelo ensemble AquiJazz, dirigido por Bárbara Franke e os seus amigos Yale Alley Cats, vindos do Japão, onde estiveram em tournée, embora sejam oriundos dos Estados Unidos, foi outro momento de uma qualidade indiscutível.

 

 

As honras da casa couberam aos AquiJazz que interpretaram, a cappella, temas do seu repertório, como You’ve got to hide your love away, de John Lennon & Paul McCartney, com arranjo de Andrew Jackman, terminando a sua prestação com, One note samba, de António Carlos Jobim, com arranjos de Cristoph Schonherr, depois de cantar várias maravilhas.

Yale Alley Cats

De imediato deram a vez e o palco, aos norte-americanos Yale Alley Cats que além de deliciarem o público com a riqueza das suas vozes, afinadíssimas e extremamente bem timbradas, apresentaram uma performance vocal plena de scatt e muito swing.

 

Abriram a sua prestação com The Muskrate Ramble, de Gilbert & Ory, com arranjos de Alex Tang, encerrando com Coconut, de Henry Nilsson, com arranjos de Mid Walsh, embora tivessem de voltar várias vezes ao palco para agradecer e cantar alguns encores.

 Yale Alley Cats

O recorte melódico, o rigor rítmico e a segurança do conjunto harmónico, quer do AquiJazz, que não deixou os seus créditos por mãos alheias, como dos Yale Alley Cats, foram em conjunto, os condimentos técnicos e artísticos que contribuíram para que este concerto fosse, igualmente, um momento musical único e irrepetível, condição essencial e sine qua non, para que a arte aconteça.

 

Até ao passado dia 18 de Maio, o Festival da Primavera da Música, sob o lema - “Um grande público merece grandes músicas”, apresenta um balanço altamente positivo.