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Um momento de altíssimo nível na programação das Festas em Honra de Nossa Senhora do Bom Despacho

Tive o privilégio, porque na verdade foi um privilégio, de assistir ao magnífico concerto que a Orquestra de Câmara da Maia deu, no passado domingo, 7 de Julho, à noite, na Igreja de Nossa Senhora da Maia.

 

Um concerto integrado na programação oficial das Festas do Concelho da Maia, em que os cerca de vinte músicos fizeram soar os seus instrumentos e talento interpretativo, com uma qualidade extraordinária. Extraordinária na afinação que foi, de facto, consistente e irrepreensível, mas também pelo som da orquestra de cordas que naquela noite, especialmente inspirada, fez ouvir o carácter do seu timbre. Um timbre que conta com a soma das prestações de todos os talentosos instrumentistas e, não menos importante, beneficia do querer e das qualidades de liderança artística do Maestro Pedro Sousa.

 

 

O programa abriu com a “ Lactitiac Suite”, do compositor belga Willy Ostijn, prosseguiu depois com as “Duas Melodias” de Luís de Freitas Branco, uma obra inspirada em Grieg, um dos seus compositores predilectos, a que se seguiu o “Andante Festivo” de Sibelius, uma obra de enorme efeito musical que também fez as delícias do muito público ali presente. A terminar, a OCM deu a ouvir, a “Brook Green Suite”, de Holst, o compositor dessa obra fantástica “The Planets” que o tornou célebre. Com esta suite de Holst e o encore com que presenteou o público, a orquestra fechou o concerto, recebendo uma demorada e muito calorosa ovação.

Devo dizer, em abono da verdade que a prestação da OCM naquela noite, foi muito enriquecida por um ambiente acústico de excepção, cujas características da espacialização proporcionam um tempo de reverberação ideal, muito em particular para este género de Música. O Templo, é porventura um dos locais com melhores condições para realizar eventos culturais deste género. E se faço esta afirmação de forma categórica, não é por nenhuma razão técnica ou científica, porque não disponho de nenhum estudo que me permita afirmar com essa segurança, tais propriedades. O que afirmo, é apenas sustentado pela prática e por um acumular de experiências artísticas e musicais de alto gabarito e qualidade inquestionável.

Quem lá esteve e percebe como funciona uma orquestra de cordas, sabendo da dificuldade em tornar claras todas as vozes, devido à natureza muito semelhante dos materiais com que os instrumentos são feitos, da proximidade tímbrica e até da forma como violinos, violas, celos e contrabaixos se tocam, técnica e expressivamente, compreende a grandeza do som que ali se conseguiu. Desde a claridade com que os celos se fizeram ouvir, à transparência dos violinos, sublinhados pelas violas, num diálogo harmónico que se adensava numa projecção natural que só aquele espaço permite, tudo esteve muito bem.

No final, quer o Pároco, Pe. Domingos Jorge, um melómano entusiasta da Música dita Clássica, como o Presidente da Comissão de Festas, Eng.º Joaquim Marques, cumprimentaram o Maestro Pedro Sousa, visivelmente satisfeitos pelo sucesso do concerto que foi, a meu ver, um dos momentos de mais alto recorte estético das Festas de 2013.

 

Créditos: José Tomé