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"Um Punhado de Terra" sobe ao palco da Caverneira

O Teatro Art' Imagem apresenta o seu mais recente espectáculo "Um Punhado de Terra", de 13 a 18 e dezembro, no auditório da Quinta da Caverneira. Apontamentos de encenação: Este homem negro é um escravo trazido à força de África para uma terra de que nunca ouvira falar – Portugal. Ele nos dirá, num português ainda mal apreendido, mas de imagens poderosas e numa linguagem poética singular, à moda de um contador de histórias de tradição oral africanas, como um dia chegaram à sua aldeia os homens brancos “feios, com cabeças de metal e pele de ferro, por sobre a pele cor de leite velho estragado”. De como lhe mataram a mulher, os filhos e os amigos, de como destruíram a sua aldeia e aniquilaram o seu povo. De como foram levados, sobre as ordens de uma tal “o infante”, num grande barco maior que “montanhas de madeira” para estas terras de desterro. É tal a sua solidão e a sua tristeza que o homem negro, despojado do seu punhado de terra evocará e pedirá aos seus deuses a morte e a maldição dos estrangeiros e seus descendentes, responsáveis pela sua desdita e a destruição do seu povo. E, é ainda com a terra estrangeira que o homem negro se despede da vida e da sua terra. Alguns caminhos para a encenação passaram pela procura de um espaço não convencional para a apresentação do espectáculo, um palco quase vazio, em que as luzes e as sombras se conjugam como elemento cénico decisivo, aliadas à terra e à água. Um trabalho centrado na voz, no corpo e no movimento do actor. José Leitão (encenador) Apontamentos do Autor sobre o texto “Praticamente todos os factos que descrevo neste monólogo são verídicos; junto-os, mesmo se não aconteceram todos no mesmo século. Encontrei-os em diversos lugares – em Gomes Eanes de Zurara, Bartolomeu de las Casas, no International Slavery Museum of Liverpool – mas um livro corajoso, organizado por Ana Barradas, serviu-me de fonte principal: Ministros da Noite. Livro negro da expansão portuguesa (Antígona, 1992). Um monólogo pede um trabalho de ritmos, tessituras, um fluxo de ideias e imagens. Sem sacrificar essas regras, e sem esquecer a exigência ética que em primeiro lugar me levou a escrever, procurei que este texto fosse o mais possível próximo dos factos registados. Apresentar os ecos que sobreviveram até nós e ser o menos possível – ou mesmo nada – enquanto dramaturgo.” Pedro Eiras (autor) 2009 É muito tarde, tarde de mais, mas ainda podemos ouvir estes pés negros que chegam da escuridão, tacteiam a terra, a medo, esta voz que chama pelo seu deus e tem uma história a contar e um pedido a fazer, ainda vamos a tempo de - pelo menos - contar outra vez a história que nunca foi contada, que foi sempre transformada em marcha militar, datas, mapa, quando muito desculpas tingidas de má-fé, contar, ouvir. Essa voz, ouço-a há muito tempo. Um dia, escrevi o que ela dizia. Por palavras minhas. Era um punhado de terra amarga, que eu devia comer. É tarde, tarde de mais, mas ainda podemos ouvir, ainda é cedo. Pedro Eiras (autor) 13 setembro 2011

Um Punhado de Terra
“Além do equador tudo é permitido” provérbio português da época dos descobrimentos)

 

Sessões:

13 a 17 Dez (terça a sábado, às 21.30h) e 18 Dez.(domingo) às 16.00h.

 

Apontamentos de encenação:
 
Este homem negro é um escravo trazido à força de África para uma terra de que nunca ouvira falar – Portugal.
Ele nos dirá, num português ainda mal apreendido, mas de imagens poderosas e numa linguagem poética singular, à moda de um contador de histórias de tradição oral africanas, como um dia chegaram à sua aldeia os homens brancos “feios, com cabeças de metal e pele de ferro, por sobre a pele cor de leite velho estragado”.
De como lhe mataram a mulher, os filhos e os amigos, de como destruíram a sua aldeia e aniquilaram o seu povo.
De como foram levados, sobre as ordens de uma tal “o infante”, num grande barco maior que “montanhas de madeira” para estas terras de desterro.
É tal a sua solidão e a sua tristeza que o homem negro, despojado do seu punhado de terra evocará e pedirá aos seus deuses a morte e a maldição dos estrangeiros e seus descendentes, responsáveis pela sua desdita e a destruição do seu povo.
E, é ainda com a terra estrangeira que o homem negro se despede da vida e da sua terra.

 

Alguns caminhos para a encenação passaram pela procura de um espaço não convencional para a apresentação do espectáculo, um palco quase vazio,
em que as luzes e as sombras se conjugam como elemento cénico decisivo, aliadas à terra e à água.
Um trabalho centrado na voz, no corpo e no movimento do actor.

José Leitão (encenador)
 

Apontamentos do Autor sobre o texto
“Praticamente todos os factos que descrevo neste monólogo são verídicos; junto-os, mesmo se não aconteceram todos no mesmo século.
Encontrei-os em diversos lugares – em Gomes Eanes de Zurara, Bartolomeu de las Casas, no International Slavery Museum of Liverpool – mas um livro corajoso, organizado por Ana Barradas, serviu-me de fonte principal: Ministros da Noite. Livro negro da expansão portuguesa (Antígona, 1992).
Um monólogo pede um trabalho de ritmos, tessituras, um fluxo de ideias e imagens. Sem sacrificar essas regras, e sem esquecer a exigência ética que em primeiro lugar me levou a escrever, procurei que este texto fosse o mais possível próximo dos factos registados. Apresentar os ecos que sobreviveram até nós e ser o menos possível – ou mesmo nada – enquanto dramaturgo.”
Pedro Eiras (autor) 2009
 
É muito tarde, tarde de mais, mas ainda podemos ouvir estes pés negros que chegam da escuridão, tacteiam a terra, a medo, esta voz que chama pelo seu deus e tem uma história a contar e um pedido a fazer, ainda vamos a tempo de - pelo menos - contar outra vez a história que nunca foi contada, que foi sempre transformada em marcha militar, datas, mapa, quando muito desculpas tingidas de má-fé, contar, ouvir.
Essa voz, ouço-a há muito tempo. Um dia, escrevi o que ela dizia. Por palavras minhas. Era um punhado de terra amarga, que eu devia comer. É tarde, tarde de mais, mas ainda podemos ouvir, ainda é cedo.
Pedro Eiras (autor) 13 setembro 2011              
 
 


M/12            

Duração aproximada: 50 minutos
99ª criação do Teatro Art’ Imagem * / 2011

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