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Vamos arrumar o passado: dos primeiros instrumentos em pedra lascada à Idade do Bronze

Os testemunhos da presença humana mais antigos até hoje identificados no atual território português remontam a 600 mil anos. Desde então, como é que o arqueólogo organiza os vários períodos cronológicos que lhe sucederam?

O Paleolítico encontra-se balizado na grande divisão cronológica situada aproximadamente entre os 600/500 000 e os 10/9 000 anos antes do presente. Desenvolve-se num período sucessivo de episódios glaciares e de períodos interglaciares, que tiveram inicio há mais de 2 milhões de anos. Estes episódios cíclicos, com as camadas de gelo a progredir de norte, e de períodos interglaciares, com as frentes polares a recuar e as temperaturas a subir, representam igual diversidade dos recursos animais e vegetais disponíveis, estimulando as condições de sobrevivência destas primeiras comunidades e a sua progressiva expansão e conhecimento do território.

O Paleolítico divide-se em Inferior, Médio e Superior, contendo individualmente características distintas, com crescente diversidade de material lítico lascado, em estreita relação com as migrações dos homens de Neandertal e dos seres humanos modernos, com o ritual da inumação e através das expressões criativas como a pintura e a gravação de rochas.

O clima frio que caracteriza a fase final do período geológico do Plistocénico cede lugar a um clima onde predominam temperaturas mais amenas, correspondendo ao Holocénico, e no qual ainda hoje vivemos. Os dados disponíveis para o litoral norte parecem indicar que o mar atingiu a cota atual, há cerca de 10.000 a 8000 anos atrás, redesenhando uma nova linha de costa que em períodos anteriores teria mais 30 Km de extensão.

O Mesolítico situa-se cronologicamente entre 10/8 000 e os 7/6 000 anos a.C., durante este período, predominam comunidades nómadas de caçadores-recolectores, em acampamentos sazonais, ao longo de um vasto território de captação de recursos. Ao nível regional, os objetos líticos mais característicos deste período são representados por instrumentos de quartzito, alguns dos quais, demonstrando uma especialização técnica, continuada do período anterior, vocacionados para a obtenção de alimentos costeiros. No Mesolítico final, algumas comunidades são já portadoras de novidades, como a cerâmica e a pedra polida. 

A partir de meados a finais do VI e os finais do IV milénio a.C., período que compreende o Neolítico em Portugal, dão-se progressivas e assimétricas alterações ao nível tecnológico como a introdução da cerâmica, da pedra polida e dos elementos de foice, ou seja, objetos ligados a diferentes inovações relacionadas com a agricultura, a progressiva sedentarização e a domesticação de diferentes espécies animais, como os ovicaprídeos e bovídeos e de espécies vegetais, como a cevada e diferentes variedades de trigo. Durante este período, constroem-se as primeiras arquiteturas resistentes e marcantes na paisagem, com recurso a grandes pedras (megalitismo) como as antas simples ou com corredor, normalmente com mamoa (tumulus) e menires, isolados ou em grupo, designados por cromeleques ou alinhamentos.

Entre os finais do IV e os finais do III milénio a.C. situamos o Calcolítico (na Península Ibérica). Período, durante o qual, circulam os primeiros objetos de cobre e de ouro e emergem grandes aglomerados em aldeia, intensifica-se a exploração do território e utilizam-se animais de tração (transporte, arado). Por outro lado, estas comunidades continuam a frequentar e a utilizar os monumentos megalíticos do período anterior.

A Idade do Bronze situa-se entre o Calcolítico e a Idade do Ferro, ou seja, do II milénio até ao séc. VIII/VI a.C. Neste período, assiste-se à generalização de objetos metálicos, nomeadamente em bronze (liga de cobre e estanho), verifica-se um crescimento demográfico, a ocupação efetiva do território e uma crescente rentabilização da atividade agro-pastoril. Predomina a hierarquização social traduzida pelos enterramentos e oferendas individuais, pela circulação de conhecimentos e objetos metálicos excecionais e pela organização do povoamento.

O resultado de diversos trabalhos de escavação arqueológica deste período e o consequente estudo das recolhas de carvões, sementes e ossos de animais, demonstram sociedades desenvolvidas, com o cultivo de cereais de Verão e de Inverno (trigo, milho miúdo e cevada), das leguminosas (ervilhas e favas) e das crucíferas (couves). Igualmente, regista-se a existência de criação do gado caprino, ovino, suíno, e bovino. 

O Bronze final corresponde ao último período da Pré-história.

 

Gabinete de Arqueologia

 

Para mais conhecimentos consultar: 

CARDOSO, João Luís (2002). Pré-História de Portugal, Lisboa. Editorial Verbo; DIAS, J. A; RODRIGUES, A. & MAGALHÃES, G. T. (1997). Evolução da linha de Costa, em Portugal, desde o último máximo glaciário até à atualidade: síntese de conhecimentos, Estudos do Quaternário, N.º1, Edições Colibri. Lisboa, p.53-66; JORGE, Susana Oliveira (1999). Domesticar a Terra, as primeiras comunidades agrárias em território português, Trajetos Portugueses, edições

Gradiva, Lisboa.